Dall’Italia noi siamo partiti... (Da Itália partimos...)
Porto Real é a 1ª colônia italiana do Brasil, cuja chegada dos imigrantes de italianos ocorreu em 1875. A história da colonização italiana é relatada pelo Sr. Enrico Secchi, professor italiano que imigrou para Porto Real junto com as demais famílias italianas. O Sr. Secchi escreveu um diário registrando desde a sua partida até o desembarque no Brasil e sua instalação em Porto Real. De acordo com Enrico Secchi, em 1874 a senhora Clementina Tavernari, oriunda de Concórdia, Itália, após uma passagem no Brasil, retornou ao seu país autorizada pelo governo imperial para recrutar 50 famílias de lavradores no norte a fim de fundar em Santa Catarina, um núcleo colonizador, que seria o primeiro experimento de colonização italiana no Brasil. No Brasil, esta senhora era conhecida por Adelina Malavazi. A senhora Malavazi era próxima da família imperial no Brasil devido ao seu marido o Sr.Alfonso Malavazi, flautista habilidoso, que por sua fama foi convidado a se apresentar para a corte no Rio de Janeiro e a aproximou da Imperatriz que a autorizou a recrutar famílias italianas para o Brasil. Retornando à Concórdia , a senhora Malavazi não gozava de boa saúde, por isso nomeou o Sr. Enrico Secchi como seu secretário. Inscreveram-se 50 famílias para a viagem ao Brasil, sendo elas originárias das cidades de Modena, Mantova, Ferrara, Parma e Reggio. O Sr. Sechi relata que a burocracia para a liberação do embarque destas famílias foi grande, sendo a viagem adiada pro vários meses, até que por intermédio do Deputado Sterlih conseguiram a autorização do Ministro do Interior. O embarque aconteceu em 22 de dezembro de 1874 no navio nomeado “Anna Pizzorno”, que havia sido um navio da marinha mercante americana com o nome de “Estrela do Norte” do qual tiraram as máquinas, transformando-o num navio com 4 velas. Por depender do vento, a viagem foi demorada e marcada por muitas danças, superstições sobre a passagem na linha do Equador e poucas mortes. O desembarque ocorreu na cidade do Rio de Janeiro em 16 de fevereiro de 1875. Por haver uma epidemia de febre amarela no Brasil, os imigrantes passaram alguns dias em uma hospedaria e no dia 19 de fevereiro de 1875 foram transferidos de trem a Porto Real – onde permaneceriam por um período determinado para depois seguirem para Santa Catarina. Para tanto, os colonos italianos receberam alimentos, um pequeno salário para o período de 3 meses e dispunham de atendimento de um médico da ferrovia que atendia de Barra do Piraí até Resende. Os colonos italianos encontraram em Porto Real algumas famílias francesas, uma família suíça, duas famílias portuguesas, uma família espanhola e uma família alemã com quem logo se confraternizaram. A senhora Malavazi foi por algumas vezes ao Rio de Janeiro tratar a transferência dos colonos italianos para Santa Catarina, mas, devido à incidência da febre amarela naquela região, o governo vetou e julgou que seria melhor sua permanência em Porto Real. No mês de abril, a senhora Malavazi fez mais uma viagem na tentativa de conseguir a autorização, mas, retornou portando a febre amarela e faleceu deste mal. Devido ao tempo em que estavam em Porto Real, às boas condições climáticas, a boa proximidade da estação ferroviária e as boas relações que os colonos italianos mantinham com as outras famílias que já habitavam Porto Real, os italianos procuraram o Sr. Secchi para dizer que preferiam permanecer em Porto Real. Sendo assim, o Ministro da Agricultura e a Imperatriz foram consultados e logo enviaram engenheiros do Rio de Janeiro para subdividir em lotes de 10 hectares as melhores terras ainda não desmatadas na Colônia. Os colonos passaram a trabalhar em seus lotes plantando cana de açúcar para a produção de aguardente à espera de uma empresa privada ou do incentivo do governo. Com a colheita a perder, foram enviados engenheiros do Rio que implantaram um engenho para destilação da aguardente no centro da Colônia Italiana. Devido à sua proximidade com o Rio de Janeiro, Porto Real era visitada por ministros e embaixadores estrangeiros. Inclusive Dom Pedro II visitou a colônia sendo recebido com muita festa pelos colonos. Nessa época foi formada uma companhia no Rio de Janeiro com o nome de "Paile Fine & Companhia" para a exploração de mandioca e batata-doce da qual tiravam um conhaque que estava bem cotado no comércio. Porém não havia grandes plantações, em Porto Real desses produtos, tendo por outro lado grandes canaviais aumentou-se então a construção que estava à margem direita do rio Paraíba do Sul, transformando-a para produção de açúcar, com o nome de Engenho Central de Porto Real. A partir disto o governo se eximia de qualquer responsabilidade sobre os colonos. Os colonos aqui foram se mantendo. Em 1883, chegou à Colônia um escultor italiano que sugeriu ao Sr. Secchi a construção de um monumento em memória ao Rei Vittorio Emanuele II da Itália. Os colonos admiraram a idéia e ergueram com a ajuda de dois pedreiros de sobrenome Maretti o busto de Vittorio Emanuele II expressando o sentimento patriota deste povo. Anos depois, o Sr. Enrico Secchi mudou-se da colônia de Porto Real com sua família. Entretanto, encontramos em seu diário, descrições minuciosas da vinda dos colonos, dos seus costumes e da sua colaboração para a construção de nossa história.
Fonte: Diário de Enrico Secchi: “I miei 56 anni di Brasile: história de uma emigração.”